Mês: outubro 2018

Mercado

Vai faltar braço

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Homem trabalha em colheita de arroz no Camboja, sudeste da Ásia. Há cada vez menos mão-de-obra disponível nas lavouras ao redor do mundo.

 

Enquanto caminha em meio às plantações de naganegi – um tipo de cebolinha verde – nas fazendas do distrito de Shiga, sul do Japão, Shinogebo Fukumoto, 49, lembra com nostalgia da antiga propriedade rural dos pais.

Na década de 1970 – época em que o agricultor japonês cresceu – as plantações ao seu redor eram repletas de trabalhadores jovens e dos mais variados produtos agrícolas, como arroz, cebolinha, repolho e cenoura. Hoje, na mesma terra herdada da família, Fukumoto cultiva apenas arroz e naganegi na paisagem quase deserta de pessoas.

Os cinquenta anos que separam o agricultor da década de sua infância não mudaram somente a paisagem do campo japonês, como também a sua demografia. Do alto dos seus 49 anos, Fukumoto é considerado jovem em relação aos outros fazendeiros – hoje, 6 em cada 10 agricultores japoneses têm mais de 65 anos de idade. Dada a grande atração dos centros urbanos, jovens japoneses cada vez menos se interessam em trabalhar no setor. O próprio Fukumoto sabe que não há como forçar o filho a seguir carreira na agricultura.

Aliado ao êxodo rural, esse envelhecimento da população teve um grande impacto na demografia e na mão-de-obra disponível no campo: em 1965, o Japão tinha mais de 11 milhões de agricultores; hoje, são menos de 2 milhões de trabalhadores rurais.

O fenômeno, no entanto, não é exclusividade do Japão. Outras potências agrárias desenvolvidas, como EUA, Austrália, União Europeia e Canadá padecem do mesmo problema.

Nos anos 2000, nos EUA, um terço dos trabalhadores dedicados à colheita tinham mais de 35 anos; hoje, esse número já passa da metade. Os norte-americanos também têm demonstrado pouco interesse em saírem dos centro urbanos e se dedicarem a atividades rurais intensas. Um estudo conduzido em 2013 na Carolina do Norte mostrou que apenas 268 dos mais de 500.000 desempregados do estado se candidataram às 6.500 vagas disponíveis na agricultura. Destes aplicantes, 245 (90%) foram contratados, mas apenas 163 compareceram ao 1º dia de trabalho no campo. Ou seja, das mais de 6.500 vagas disponíveis nos campos do estado, apenas 163 foram preenchidas por trabalhadores locais.

Na Austrália, a média de idade dos fazendeiros era de mais de 53 anos em 2013, enquanto a média de idade da mão-de-obra dos outros setores da economia era de 40 anos. E há mais agricultores se aposentando do que ingressando no setor.

 

Panorama brasileiro

Embora os fenômenos de envelhecimento e êxodo rural ainda não sejam tão acentuados no Brasil quanto em outros países desenvolvidos, os primeiros sintomas de escassez de mão-de-obra no campo começam a aparecer, e é importante estarmos atentos à solução do problema antes que este se agrave.

Na década de 1940, 69% da população nacional vivia em zonas rurais. No último grande censo do IBGE, em 2010, esse número não passava de 16%.

Embora não haja dados detalhados sobre o envelhecimento nas zonas rurais brasileiras, nossa população como um todo inegavelmente envelheceu. De 2012 a 2017, o número de idosos brasileiros aumentou 18%, chegando a 30 milhões de pessoas.

Na realidade de agricultura brasileira atual, já há lacunas de mão-de-obra tanto técnica e mais qualificada (operação de máquinas e de produção) quanto manual, nas colheitas das lavouras e na seleção e classificação de produtos agrícolas.

A combinação de êxodo rural e envelhecimento fatalmente trará ao Brasil os mesmos problemas pelos quais já passam, hoje, as potências agrárias desenvolvidas.

 

Como suprir a carência de mão-de-obra?

Mas como as nações desenvolvidas vêm enfrentando, hoje, a ausência de braços no campo?

As respostas são variadas: na União Europeia, estimula-se principalmente a migração de trabalhadores do Leste europeu para as temporadas de colheita no Reino Unido, na França e na Alemanha. A imigração também tem sido chave para suprir a escassez de mão-de-obra nos EUA e na Austrália.

Mas, apesar da concessão de vistos especiais para estrangeiros trabalharem no setor rural, as políticas de imigração ainda assim não acompanham e preenchem completamente as carências do setor. Estima-se, por exemplo, que possivelmente metade dos trabalhadores rurais no EUA sejam imigrantes sem documentos legais para permanecer no país.

Historicamente pouco aberto à imigração, o Japão apostou em políticas de subsídio e estímulo econômico aos seus fazendeiros – mas estes tornaram os produtos pouco competitivos e exigiram medidas protecionistas do governo para preservar o setor agrícola nacional.

O que tem mantido a alta produtividade nesses países com trabalhadores cada vez mais velhos e escassos é o investimento em novas e disruptivas tecnologias e a educação para a formação de mão-de-obra qualificada. A imigração, seja ela doméstica ou internacional, não é uma solução definitiva. Subsídios e protecionismo também não passaram de meras soluções paliativas.

Frente às inevitáveis mudanças demográficas e populacionais pelas quais a agricultura brasileira passará, a solução mais viável é investir em novas tecnologias e maquinário e na qualificação de pessoal. Precisamos multiplicar os cérebros para que não faltem braços nos campos e nem comida nas mesas.

 

Soluções tecnológicas da MVISIA

Visando suprir as necessidades do setor agrícola, a MVISIA desenvolveu uma série de seletoras, calibradoras e sistemas de classificação automáticos equipados com tecnologia inovadora e de ponta.

Nossos produtos dotados de visão computacional e inteligência artificial já estão presentes em diversos estados do Brasil, multiplicando a produção de tomates, uvas, eucaliptos, flores, entre outros.

Quer saber mais sobre as nossas tecnologias e casos de sucesso? Acesse http://mvisia.com.br/ e fique por dentro!

 

Fontes:

https://www.npr.org/2018/05/03/607996811/worker-shortage-hurts-californias-agriculture-industry

https://www.westernfarmpress.com/vegetables/labor-shortage-threatens-export-opportunities

https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2018-06-01/u-s-farms-need-more-immigrant-workers

https://www2.deloitte.com/au/en/pages/consumer-business/articles/farming-verge-workforce-crisis.html

https://www.albertafarmexpress.ca/2013/06/10/farm-labour-shortage-is-a-worldwide-problem/

https://www.nippon.com/en/features/h00227/

https://www.japantimes.co.jp/life/2018/06/23/food/farming-japan-last-legs/#.W9aGm5NKjIU

https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,envelhecimento-no-campo-imp-,1159892

http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_0621.pdf

http://br.rfi.fr/mundo/20171009-fao-aposta-no-aumento-da-produtividade-para-estancar-exodo-rural

 

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Campos de visão

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Máquinas dotadas de visão computacional e I.A. podem reduzir o uso de pesticidas em até 90%. Foto: João Marcelo Marques.

 

Em junho deste ano, uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o controverso Projeto de Lei 6.299/2002, também chamado pelos críticos de “PL do veneno”. O projeto prevê, entre outros, a transferência do poder decisório sobre o uso de pesticidas da Anvisa e do Ibama para o Ministério da Agricultura.

Embora ainda não tenha sido sancionado – o Projeto de Lei precisa ser aprovado pelo plenário da Câmara e pelo Senado antes de ser encaminhado para sanção presidencial – debates acalorados sobre o tema vêm acontecendo. Defensores do PL alegam que ele é baseado em legislações mais modernas e críticos afirmam que a regulamentação dos pesticidas deve continuar passando pelas agências de saúde e ambientais.

Pontos de vista à parte, há dois fatos que nem defensores nem opositores do Projeto de Lei podem negar: os brasileiros consomem agroquímicos em excesso e os produtores nacionais gastam muito dinheiro com pesticidas. Todos os anos, são pulverizados 7,3 litros de agroquímicos para cada cidadão brasileiro. O Brasil lidera o ranking de maior consumidor de pesticidas do mundo desde 2008. O gasto dos produtores com fitossanitários também é elevado: somente em 2014, mais de R$12 bilhões foram destinados à compra destes produtos.

No entanto, a inteligência artificial e a visão computacional prometem um futuro melhor tanto para os produtores quanto para os consumidores nacionais. Novas tecnologias prometem conciliar a quantidade e a qualidade das safras ao reduzir drasticamente o uso de produtos químicos na agricultura.

É o caso da tecnologia “See and Spray”, que vem sendo desenvolvida nos EUA e já é utilizada em plantações de algodão.

Uma máquina equipada com uma câmera inteligente monitora áreas de plantio e identifica com precisão quais são as plantas afetadas por pragas. A máquina é capaz de gerar um relatório ao produtor discriminando o exato número de plantas afetadas e quais são as pragas em questão. Com esses dados disponíveis, o pesticida não precisa mais ser pulverizado em toda a área de plantio: a máquina aplica o produto somente nas plantas afetadas. A tecnologia “See and Spray” reduz o uso de pesticidas em até 90%, diminuindo os gastos dos agricultores e os efeitos na saúde ambiental e dos cidadãos.

Graças a essas máquinas, os interesses até então inconciliáveis de produtores, consumidores e ambientalistas podem finalmente convergir – e a sociedade como um todo só tem a ganhar com isso.

 

Tecnologias da MVISIA para o agronegócio

A MVISIA é especialista no desenvolvimento e aplicação de tecnologias de inteligência artificial e visão computacional no agronegócio. Focamos na utilização de câmeras inteligentes para o controle de qualidade e processos nas linhas de produção agroindustriais. Essas câmeras são desenvolvidas sob medida para os mais diversos tipos de empresa.

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